Favas guisadas, o almoço deste Domingo

No Mercado de Benfica, ontem, foi dia de fazer compras. Naquele espaço em redondel de duas filas, olho para a direita e para a esquerda enquanto decido onde comprar. Foi então que as olhei. Estavam dentro de um saco de plástico. Só existia um. Queres favas? perguntei a Marido. Pode ser. Parámos, a esperar a nossa vez de ser atendidos. Eu «rezava» para que ninguém as quisesse levar, ao mesmo tempo fazia um scan pelas duas bancas, a ver se tinham algo mais que eu necessitasse. Quando me preparava para pedir sacos para tomate (que cheirava a tomate), umas cenouras lisinhas e de boa cor e para um gordo e brilhante pimento vermelho, ouço uma das vendedoras: «diga». Olhei-a. Como eu detesto estes «diga». Nem um sorriso de quem quer vender nem nada... Fingi não ouvir mas dirigi-lhe o meu sorriso de compradora ao mesmo tempo que lhe disparava o meu «bom dia»! As favas que estão no saquinho, darão para duas pessoas? Que sim, à vontade, que correspondiam a dois quilos de favas com casca. Certo. E quanto custa? Bem, como eram muito mais caras que dois quilos com casca, depreendi que a diferença era para pagar o trabalho de as descascar. Olhei-as de perto: pequenas, todas verdes, mas quase todas com olho. Então, não tiraram o olho! Era o que mais faltava, o olho nunca se tira. Pensei: Isso é lá resposta que se dê? Marido pareceu adivinhar os pensamento e cotocou-me. Se não tivesse ali parada há tanto tempo, eu tinha-as deixado no balcão e virado as costas. Pegar favinha a favinha, em casa, para lhes tirar o olho ... Seria como nas bancas do peixe fresco. Não tiravam as escamas nem as guelras ... mas se tirassem não passavam o peixe por água ... nem que pagássemos o trabalho. Bem, não vá mais longe. Lembrei-me do Mercado de Tavira. Compramos o peixe numa banca, mas temos de o ir amanhar a outra, onde estão homens só para o amanho do peixe. Depois do trabalho que eles têm, lá temos de lhes uma moeda ... Vieram mais os tomates e mais as cenouras e o pimento. Paguei. Pedi um molho de cheiros. Não cobraram. Uau! Tornei a sorrir-lhes, mas pelo amável gesto. Oferecem os cheiros. Vá lá, não se pode ter tudo, bons sorrisos e cheiros de graça.
Mas voltemos às favas. Hoje, quando chegou a hora de começar a preparar o almoço, fui buscá-las ao frigorífico. Abri o saco. E as favinhas continuavam com aspecto fresco e sem manchas. Virei-as para dentro de um passador de rede grande e mergulhei-o dentro de um alguidar, a fim de as desolhar. Abri a torneira e deixei a água correr, fui sacudindo a rede. Os olhos foram saindo, todos. Foi fácil. Vá lá. Elas tinham razão. Não valia a pena tirar os olhos...
Num tacho com mais ou menos o dobro do volume das favas, anti-aderente, coloquei um bom fio de azeite (Oliveira da Serra de baixa acidez) até cobrir o fundo. Piquei uma cebola média das novas, 200 gramas de toucinho fumado às tirinhas e forrei o fundo. Depois deitei as favas. Por cima destas, meio chouriço extra picante da Dilop, às rodelas, e entalado no centro, um molho grande de coentros lavados e enrolados numa folha de louro. Salpiquei de sal grosso, pouco, moí um pouco de mistura de 4 pimentas, borrifei tudo com aproximadamente uma chávena de café de água, mais um fio de azeite e tapei o tacho. Levei ao lume lento cerca de 15 minutos. Sem destapar o tacho, atravessei um pano sobre a tampa, para a segurar, prendi-as nas duas pegas do dito e sacudi-o. Da frente para trás, de cima para baixo, da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, a fim de misturar sabores, sem desmanchar os ingredientes. Só a seguir o pousei, destapei e provei. Salpiquei mais um pouco de sal e como tinha um fundo ainda líquido, não foi preciso acrescentar mais água. Marquei mais 12 minutos e em menos de meia hora o almoço de Domingo estava pronto. As favas guisadas estavam tão cheirosas que não foi preciso nem chamar P'rá a mesa!. Marido apareceu a seguir.
É verdade! Levou mais um ingrediente. À parte, cozi um chouriço de cebola, oferta do meu Primo Mário, que é de Caminha natural e tem uma maneira de temperar os enchidos que não há idênticos à venda. Mas nós precisamos de estômago forte para os digerir. Por isso, cozi-o à parte e fomos degustando conforme nos apeteceu, juntando-os às garfadas das favinhas.

Também indico que com este prato não dispenso um copo, um copinho de um vinho tinto de que gosto imenso - da Vinha de Coelheiros, um Alentejano.

A seguir, uns moranguinhos, dos nossos 560, que já se deixam apreciar muito bem.

E depois com o café, um licor de Anis Escarchado, pois então. Raça do chouriço de cebola! Para a outra vez, não o provo :).

2 comentários:

Larana disse...

pessoalmente não gosto de favas, mas este teu pratinho está uma verdadeira delicia.

beijinhos:))))

Carlos Azevedo disse...

Nham-nham! Adoro favas -- deve ser o meu prato preferido -- e vou experimentar cozinhá-las deste modo.